💞 MORFOLOGIA DO AMOR 🍎

dieta-Gordura-localizada-out-JPGРṆo engorde, ṇo! Seṇo eu a devolvo pros seus pais!

Era o que aquele rapaz sempre dizia, em tom de brincadeira, à sua bela esposa, nos primeiros meses de casamento, quando estavam à mesa, fazendo alguma refeição.

Ela ria um riso amarelo, sabendo que era brincadeira, mas estremecia por dentro. Passou a ter pesadelos terríveis nos quais se via do tamanho do mundo e explodia feito aquela personagem da novela Saramandaia.

Alguns anos se passaram, ela continuava bela, porém a fita métrica que media sua cintura parecia ser a mesma usada para medir o amor do seu marido por ela, e isso a incomodava, sabotava sua felicidade.

Numa reunião de amigos, como sempre, no calor da descontração, ele chama a atenção de todos, parecendo que vai fazer um pronunciamento:

– Pessoal, pessoal! Eu sou um cara sortudo mesmo, olhem aqui a minha mulher, continua linda. Mas ela já sabe, né, amor? Tem que ser amiga da balança, senão…

Todo mundo sabia dessa frase, alguns até a completavam. Mas, curiosamente, naquele dia, a mulher esperou todo mundo sorrir, olhou seriamente na direção do seu amado e falou:

– Tudo bem, meu bem, eu sei… Mas você, se engordar, se emagrecer, se perder os cabelos (o que já estava acontecendo), se adoecer ou envelhecer, eu ainda vou estar ao seu lado, porque a balança que pesa o meu amor, de tão grande que é, ainda não inventaram.

Ela foi ovacionada por todos e o marido nunca mais fez essa “brincadeira” em público nem na intimidade da alcova.

Alguns anos se passaram e ele teve, infelizmente, câncer de próstata. Ficou desfigurado, quase morreu. Mas a esposa esteve o tempo todo ao seu lado, cuidando e contribuindo para a sua recuperação. Em nenhum momento, ele foi ameaçado ser devolvido para a sua família ou ser dado de presente para a Morte.

Toda brincadeira esconde (ou revela) uma verdade.

Não quero, porém, entrar nesse mérito, só quero chamar a atenção pra toda essa sofrência desnecessária que a gente impõe às pessoas diariamente, condicionando sua alegria, sabrecando seu sorriso, empatando sua espontaneidade e afetando a liberdade de escolherem o que quiserem ser!

E os prejuízos para o corpo e para a alma são incalculáveis, pois essas imposições terminam contribuindo para a elaboração de mentiras, para a dissimulação, para a bulimia/anorexia, para o surgimento de uma verdadeira quadrilha de ladrões da felicidade!

Se não puder amar só por amar, sem estabelecer multas e juros pela mudança da imagem do outro/da outra, não ame.

Contente-se com a sua própria imagem no espelho!

Entenda que a morfologia do amor, do verdadeiro amor, tem padrões que fogem à convenção do olhar e da pele.

A fita métrica e a balança que medem e pesam o amor… Graças a Deus, ainda não inventaram.

Lídia Vasconcelos

Bom domingo, amigos!

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Sobre Lídia Vasconcelos

Professora de Língua Portuguesa, poeta e escritora de sonhos.
Esse post foi publicado em Crônica, felicidade, Mensagem, Reflexão, vida e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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