MATANDO MONSTROS E BARATAS

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MATANDO MONSTROS E BARATAS

 

É claro que no sentido figurado, todos temos monstros para enfrentar e exterminar, dentro ou fora de nós.

Tenho me deparado com muitos monstrengos ao longo da minha vida. Alguns já foram vencidos e não passam de uma mera lembrança patética no cantinho da memória; mas outros insistem, ressuscitam, recusam-se a morrer, provavelmente porque ainda não descobri a “fórmula” ou as armas certas para aniquilá-los definitivamente!

O divórcio me expôs a perigos e a desconfortos que eu já havia resolvido. Por exemplo: eu nunca precisei dirigir, porque meu ex-marido estava sempre à disposição e me levava aonde eu queria. Eu nunca precisei também matar uma barata, porque sempre que aparecia uma, bastava eu gritar por SOCORRO que o meu ex-super-herói surgia do nada pra me defender e a detonava! Era uma sensação de segurança e proteção incrível…

Mas aí a gente se separou e as coisas mudaram.

Fiquei sozinha para resolver meus pepinos, segurar minha onda e, inevitavelmente, encarar meus monstros! Não tinha ninguém para me dar um analgésico nem pegar aquele objeto naquela prateleira alta, entre outras coisas.

Confesso que a primeira vez em que me deparei com uma barata – enorme e cascuda – eu estava num péssimo dia. Eu quase tive um enfarte, quando vi a bicha passar de raspão pela minha orelha! Entrei em pânico, suei frio, chorei. Resultado: fui dormir na sala, porque a ortóptera tinha se apossado do meu quarto!

Perdi a conta das situações ridículas que eu passei por causa de uma barata. E isso só parou quando, num dia, gritando e me arrepiando de tanta ojeriza, eu pisei numa barata!

Olhei para todos os lados, pra ver se alguém havia presenciado tal proeza, mas só havia nós duas: ela esmagada e eu inteira, com a sensação de haver salvado a humanidade de um terrível mal! Tive até a impressão de que estava ouvindo aquela musiquinha do Ayrton Senna!

Pode ser bobagem, mas a partir desse episódio, passei a encarar os outros monstros. Aprendi a dirigir, desenvolvi técnicas para lidar com as coisas inacessíveis da minha casa e do meu dia a dia, enfim, comecei a colocar todos os monstros no seu devido lugar!

E, quanto às baratas, tornei-me especialista em inseticida e chineladas. Cá entre nós: elas nem são tão horríveis assim e eu sou bem maior e mais inteligente do que elas, não é mesmo? Elas que não se metam a besta comigo!

 

Texto: Lídia Vasconcelos

Ilustração: Prof. Carlos Alberto Rodrigues

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Sobre Lídia Vasconcelos

Professora de Língua Portuguesa para o Ensino Médio, poeta e escritora de sonhos.
Esse post foi publicado em Crônica, família, humor, Reflexão e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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